Resenha do livro O consumidor de baixa renda

Este pequeno livro trata da classe social de maior número no Brasil: a classe C e subsidiariamente das classes D e E. Escrito por Marcelo da Rocha Azevedo e Elyseu Mardegan Jr., o livro aborda variados temas sobre os hábitos de consumo dos "menos abastados" e da sua importância no cenário da economia nacional.
Quem já ouviu uma frase do tipo "meu dinheiro é igual ao do bacana" sabe bem o sentimento vivido há algum tempo atrás pela classe C no Brasil. Uma classe social numerosa mas ao mesmo tempo esquecida.
Muitos especialistas atribuem ao governo petista o grande avanço social da classe C e principalmente das classes D e E, tanto no cenário econômico quanto no social. Mudou-se os hábitos de consumo e consequentemente os hábitos de vida das pessoas, que deixaram de ser meros espectadores e passaram a fazer parte da roda de consumo, fazendo parte de um meio social/cultural nunca antes vivido.
A ascensão dessas classes deu-se em muito pelo empoderamento do salário mínimo frente a inflação, gerando no valor básico salarial relevante aumento real do poder de compra. Antes, o dinheiro não sobrava ou mal dava para honrar as contas básicas, entretanto, quando tal valor passa a ter aumentos reais, a renda do trabalhador, que antes destinava-se quase que exclusivamente a insumos básicos, passa a ser usada, no seu excedente, para adquirir bens antes tidos como "supérfluos ou coisas de rico".
Outro fator importante é o marketing, que teve que curvar-se frente ao poder econômico que essa classe social tem. Não muito tempo atrás, propagandas luxuosas e complicadas eram comumente veiculadas nos veículos de massa. O que se observa hoje é um processo de simplificação da comunicação, visando principalmente atingir esse público, que não tem alto grau de escolaridade, mas que anseia novos produtos. Observa-se muito bem esse fato nos comerciais curtos e repetitivos. Observe bem nos comerciais das casas bahia ou da ricardo eletro que terá bem uma noção dessa mudança.
O livro aborda também o tema da fidelização do cliente de baixa renda e como isso se dá. O capítulo de maior relevância da obra. Os autores colocam informações e inferências bastante pertinentes no processo de consumo dessa classe social. Qual a fonte do sucesso dos mercadinhos de bairro aqueles que se conhece o dono, a família do dono e se for o caso, ainda se compra através de meios de crédito como a caderneta (não a de poupança, mas aquela que o consumidor anota da cadernetinha o consumo, que geralmente é mensal). O consumidor de baixa renda prefere os tipos de crédito que não exigem muita burocracia ou "muita papelada" para ser concedido. Lugares que exigem muitos comprovantes são logo descartados. Novamente observa-se o sucesso das casas bahia, que não exige muita burocracia para conceder crédito, o que resulta em muitas vendas.
O consumidor de baixa renda é hoje o foco dos grandes vendedores e da mídia, que deram fé da importância social e econômica dessa classe que luta dia-a-dia para obter seu dinheiro e mais do que merecido, quer ser reconhecida e incluída nas rodas do meio social. O livro é um verdadeiro mapa da mina do pensamento desse tipo de consumidor e deveria ser lido por quem trabalha com esse público, tanto para o aumento das vendas quanto para a melhor satisfação dessa classe que, literalmente, carrega o nosso país nas costas.

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