Congresso podre, culpa do povo?

O nosso Congresso Nacional é composto pelo Senado federal, composto por representantes dos Estados da federação e pela Câmara dos Deputados, composta por Deputados Federais, representantes do povo. No Brasil adotamos o sistema representativo, ou seja, votamos em políticos para que os mesmos representem nossa vontade. Há o sistema majoritário, no qual o voto é nominal, a exemplo os votos para Presidente da República, Governador, etc. e há também o sistema proporcional, pelo qual votamos em determinado partido ou coligação - que tem cunho ideológico - que terá determinada porcentagem de vagas de acordo com o número de votos.
Diante do exposto acima, é forçoso notar que a grande maioria da população desconhece a estrutura do poder legislativo. Uma pessoa comum vota no deputado X, que pertence a um partido ou coligação, que terá uma porcentagem de vagas dependendo da quantidade de votos recebida. Mas para o leigo, o voto não é para o partido, a ideologia, mas sim para o próprio deputado. A maioria das pessoas desconhece o sistema proporcional de votos, adotado aqui no Brasil para cargos nas assembleias e nas câmaras municipal e dos deputados federais.
Passado a breve explicação acima, passemos a nossa situação atual. Como é sabido por quase todos, vivemos uma das mais graves recessões de direitos, que serão levadas à cabo pelo Presidente Michel Temer. Já vimos a grande derrota na lei da terceirização. Ficará pior, bem pior com a aprovação da "reforma da previdência" e da "reforma trabalhista", que, ao que tudo indica será concretizada, muito embora haja uma grande comoção popular a nível nacional.
O papel que a mídia exerce nesse escracho aos direitos é de uma tremenda covardia. Os protestos durante a paralisação nacional ocorrida em 28 de abril desse ano mostra bem como a mídia é muito tendenciosa quando rola dinheiro. Uma notícia de âmbito nacional foi mal, muito mal noticiada pelo Jornal Nacional, que para azar nosso é o telejornal com maior audiência. Não bastasse a desnotícias, invertiam os valores, chamando de vândalos os manifestantes. Mas enfim...
Voltando ao tema das ideologias, como já falei, votamos nos partidos, que tem uma lista aberta de políticos, ou seja, os mais votados entraram primeiro. O que pode ser "burlado" de forma legal quando usa-se da ingenuidade do povo para eleger políticos-barco, que com número enorme de votos, elege a si e a vários outros na sua aba. 
- "lembra de mim abestado". 
Dos males o menor. 
Na conjunta ideológica internacional tem-se observado a ascensão monstruosa da direta e timidamente da extrema direita, grupos que são historicamente contra políticas socialistas, tendo posições conservadoras, acrescentadas mais ainda pelo cunho religioso e nacionalista. Vemos bem isso na quase que homogeneidade do nosso congresso, que tem três principais bancadas: a da bala, ruralista e a da bíblica. A primeira, com cunho majoritariamente militar defende a todo custo o cidadão de "bem" e a defesa da família, assim como o uso da força policial intensa na repressão da criminalidade. A ruralista, financiada pelos grupos agropecuários defende os interesses seus face aos defensores do meio ambiente (para espanto e na calada, votaram projeto de lei que altera lei de trabalho rural,tornando-o escravo). E por último, a bancada bíblica, composta em sua grande maioria por pastores evangélicos, que tem interesses comuns ou quase iguais aos da bancada da bala. O que assusta muito em tudo isso é que esses senhores, que usam de cargo público onde deveriam representar os interesses do povo, simplesmente desprezam a vontade popular, que diga-se de passagem, é o legítimo detentor do poder. No entanto, belas palavras ocas tacadas.
Faço a pergunta: a culpa do nosso congresso estar evidentemente contaminado é diretamente do povo? A resposta é sim e não. 
A brasileiro tem a fama de memória curta, o que se agrava quando contata-se que nossa escolaridade bem como nossa vontade de adquirir conhecimento é muito pouca. Lemos pouco mais de 4 livros por ano, em média. Bom seria se o problema fosse esse, pois dados recentes mostram que a grande maioria são analfabetos funcionais, que sabem ler mas pouco ou quase nada entendem. Pode-se então culpar o povo que é manobrado pela mídia e pelos políticos? Sim e não. Podemos culpar alguém por isso ou os culpados somos todos nós, a nação?  Bem verdade que sofremos muito com a colonização, mas essa ferida é sempre usada como desculpa. Por que nunca achamos o curativo? 
Infelizmente a mente conservadora não deixa aflorar o novo pensamento, da livre determinação, vemos isso com mais clareza quando em pleno século XXI o Brasil ainda tem muito, e ponha-se muito nisso, preconceito com negros e determinados grupos minoritários. O Brasil cresceu economicamente, entretanto, somos gigantes quase que anencéfalos que se orgulham de coisas inúteis.
A culpa disso tudo que vivemos hoje é do povo, de certa forma, todavia, olhar para essa massa com desdém não melhora o problema. A educação é a solução desse nosso problema histórico, mas, mais uma vez o que vemos é o poder político freando cada vez mais o avanço na educação. Querem deixar tudo como está, a base de cerveja gelada, mulher bonita e futebol na tela da globo. Entretanto, uma nação digna míngua na porta de hospitais, aguarda na justiça. Não quer se nagar os nossos valores culturais já estabelecidos, mas que esses não sejam usados para tapar a visão dos problemas que aqui acontecem.

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