Resenha do livro 1808, de Laurentino Gomes

1808, de Laurentino Gomes
Título : 1808
Autor : Laurentino Gomes
Ano: 2008

Onde Comprar: Americanas Submarino Livraria Cultura Saraiva
Este é o primeiro livro do autor paranaense Laurentino Gomes. O autor, que não é um historiador de formação, mostra seu talento na narrativa do seu livro-reportagem com observações bastante cabíveis sobre D. João VI e das peculiaridades da corte que veio fugida para o Brasil.
D. João

O livro tem como seu principal personagem D. João VI, príncipe regente que viria a ser rei de Portugal com a morte de sua mãe, D. Maria I. Laurentino descreve o rei como sendo um sujeito tomado pelo medo de tomar decisões, deixando-as sempre para a última hora. Sempre que podia adiava decisões importantes, adiava, e quando as tomava, tinha sempre por trás a palavra de seus conselheiros, em especial D. Rodrigo de Sousa Coutinho ou o Conde de Linhares.
Fugidos

 A vinda da família real ao Brasil não aconteceu dos mais belos modos e nem por vontade deles. Àquele tempo, Napoleão Bonaparte provocava o terror na Europa destronando os reis, que se diziam detentores do direito divino de reinar e colocando no lugar dos destronados seus familiares. Para um panorama completo, há que se falar também e principalmente nas relações comerciais de Portugal com o todo poderoso - àquela época- Império Britânico. Portugal era um dos reinos de segunda classe, mas que ficou encurralado entre o Império Britânico, com quem tinha relações comerciais muito fortes e a França de Napoleão, que era inimiga ferrenha dos britânicos. Então nessa sinuca de bico, D. João teve grandes pesadelos. Se aderisse ao bloqueio continental de Napoleão teria como inimigo os britânicos, que dominavam os mares. Seria um tremendo tiro no pé, já que Portugal dependia quase que exclusivamente das riquezas que chegavam do Brasil. Por outro lado, se não aderisse ao bloqueio continental certamente Napoleão invadiria Portugal e foi o que, no fim das contas aconteceu.
Numa jogada muito astuciosa, D. João declara guerra as britânicos e negocia com Napoleão, o que dá a Portugal um certo tempo para resolver seu dilema. A declaração de guerra à Inglaterra não passava de palavras vazias, visto que por debaixo dos panos Portugal negociava com os britânicos a fuga da família real ao Brasil com uma escolta de navios dos mesmos.
Os historiadores são certos ao falar que se D. João quisesse resistir à vinda das tropas francesas teriam certamente resistido. O exército Português não era o melhor, mas as condições dos soldados franceses eram bem piores. Os soldados franceses chegaram à Portugal maltrapilhos, famintos. Muitos deles morreram de fome e de doença no caminho até Portugal. Por isso, mesmo com um exército fraco, Portugal teria resistido aos franceses. Já era sabido que Portugal, desde o tempo de Marquês de Pombal já tinha planos de transferir a sede do reino para o Brasil. Os franceses deram somente um empurrãozinho.
A Partida

Autor desconhecido . A família real no cais do Porto.
A partida da família real foi em 27 de novembro de 1807, à tarde, mas sem ventos para impulsionar os barcos, a partida de fato só aconteceu dia 29. Pela pressa que se deu tal empreitada, fora grande o alvoroço no cais do porto. Carruagens se amontoavam na lama, caixas e caixas eram deixadas para trás contendo verdadeiros tesouros. Caso disso foram os 60.000 volumes da Real Biblioteca de Portugal que ficaram em caixotes no cais e toda a prataria das igrejas.
Quando as tropas do General Junot chegavam ao cais, os navios com os cerca de 15.000 tripulante dos navios - há divergência quanto ao número -  estavam a sumir na linha do horizonte, como na forma de um adeus zombeteiro.
Chegada ao Brasil

Os primeiros navios atracaram na Bahia em 18 de Janeiro de 1808. Não se sabe ao certo o motivo da passagem pela Bahia, já que a viagem tinha como destino o Rio de Janeiro. Segundo historiadores, D. João pretendia fazer uma união nacional e firmar também a Bahia como um grande centro, o que de fato já era. No entanto, a teoria mais adequada à passagem de D. João em Salvador era o receio o início de um movimento separatista da Bahia. Logo ao chegar em Salvador,D. João acalmou o ânimo dos baianos, escrevendo a carta régia da abertura dos portos às nações amigas.
A chegada do destino final só aconteceu de fato em 8 de março de 1808, quando a família real desembarcara no Largo do Paço, atual Praça XV.
A família real desembarcava no Brasil fugida e quebrada. Dependia da Inglaterra e chegavam notícias da crueldade das tropas francesas com o povo português. Não bastasse os problemas financeiros, também havia o problema de alojar todos os membros do corpo burocrático do Estado Português. As famosas siglas PR (ponha-se na rua) que na verdade significava Príncipe Regente foram largamente usadas para designar moradias aos novos moradores vindo de Portugal. Na prática era realmente um pé na bunda dos moradores.Outro problema grande era a corrupção, que já naquele tempo causava escândalos.
Uma opinião

A família real veio ao Brasil fugida. Encontrou nos trópicos a riqueza de uma nação selvagem, analfabeta. Uma maioria negra, escrava, com a influência do grandes traficantes de escravos em tudo.
 Era o retrato de um Brasil pobre e selvagem, que em muito se parece com o de hoje, só que com as devidas modificações. Não há mais escravos nem traficantes, há agora políticos corruptos e empresários gananciosos e o povo, que só tem olhos para carnaval e futebol. Estudar história deve ser uma papel para todos, pois as mesmas estruturas de ontem sobrevivem hoje, só que em moldes diferentes. Mudar isso cabe a todos nós






Comentários

  1. Texto ótimo, bom argumento. Infelizmente, o que você falou no final acontece hoje e com o fim do ensino médio, só temos a perder.

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