Colônia: O Holocausto brasileiro

capa do livro Holocausto Brasileiro, de
Daniela Arbex

Há coisas que a gente talvez nunca saberá em nossa vidas. que são escondidas da pessoa a todo custo. Isso ocorreu com o caso de um manicômio, na cidade mineira de Barbacena. O fato foi contado no Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex (Editora Nova Geração).

Ninguém sabia.  Isso é muito estranho. Para a maioria da população era desconhecido que nessa cidade havia tal ato. Para quem não estava na cidade ou conhecia, era somente um manicômio, local onde iam pessoas doentes mentais que não podiam conviver em sociedade. Mas o que havia, na verdade, era um dos maiores genocídios já acontecidos no Brasil. De acordo com a autora do livro, desde 1903, data que o manicômio foi fundado até a década de 80 morreram 60 mil pessoas.
O que mais espanta no local é a forma como os internos eram tratados: alguns andavam nus, dormiam no chão, apenas com um forro de capim. Usavam roupas esfarrapadas, sujas e rasgadas. Tinham a cabeça raspada. Condição muito semelhante a dos campos de concentração nazistas durante a segunda guerra mundial. Diferentemente dos campos, onde os corpos dos presos eram mortos e, parte do corpo transformada em sabão, usava-se os cabelos para fazer travesseiros e similares, na colônia os corpos eram vendidos para universidade, aos preço de 50 cruzeiros. Foram vendidos no total 1853 corpos. O que hoje corresponde a R$600 mil reais. Todos os dias morriam cerca de 16 pessoas,de um total de 5.000. sendo que o manicômio tinha espaço apenas para 200. Depois de um tempo, o mercado que comprava os corpos parou de comprar. Com os corpos entulhados tamanha a quantidade de mortos diariamente, os funcionários usavam ácido para decompor os corpos, que depois tinham as ossadas vendidas.
O escândalo da colônia chegou aos ouvidos do presidente, na época, Jânio Quadros, quando em 1961 os repórteres José Franco e Luiz Alfredo denunciaram o caso na revista O Cruzeiro. Mesmo com a denúncia, nada foi feito. Somente em 1979, quando a reforma psiquiátrica em Minas Gerais ganhou força, que houveram algumas mudanças.
Hoje o manicômio funciona com 160 paciente e é mantido pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG). Ninguém foi punido.

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